Heráldica do sobrenome Vieira
 

    É um sobrenome de origem geográfica. De vieira, subst. comum (Antenor Nascentes, II, 314). De vieiras ou conchas, conforme se pode ver no Brasão de Armas desta família (Anuário Genealógico Latino, IV, 30). Descende esta família de D. Arnaldo de Baião [ano de 983], da Gasconha [França] que morreu de uma seta no cerco de Viseu. Por linha feminina descende de Caio Carpo, régulo da Maia, no tempo dos romanos, quando foi aportar a Galiza o corpo do apóstolo Santiago, que apareceu coberto de conchas ou vieiras (Anuário Genealógica Latino, I, 96). Felgueiras Gayo, em seu Nobiliário de Famílias de Portugal [Tomo XXVIII], principia esta família em Ruy Vieira, o primeiro de que se tem notícia com este sobrenome, que, segundo a opinião comum, teve princípio na Província do Minho, pelos anos de 1044 [século XII]. Ruy Vieira foi Fidalgo muito honrado no tempo do Rei D. Afonso [1211-1223] e de seu filho D. Sancho II [1223-1248]. Senhor da Quinta de Vila Seca, na freguesia de São João, Comarca de Vieira, onde viveu e faleceu, e de onde teria tomado o seu sobrenome.

    Consta das Inquirições que mandou fazer o Rei D. Diniz [1279-1325], que o Conselho de Vieira foi honrado por haver sido de Ruy Vieira. Parecem seus filhos, João Rodrigues Vieira e Pedro Rodrigues Vieira, vivendo, este, pelos anos de D. Afonso III [1248-1279], que foi conde de Bolonha em França, e que entrou no governo de Portugal pelos anos de 1245, provável Senhor da Quinta de Vila Seca, e chefe desta família Vieira, em Portugal, com inúmeras ramificações no Brasil. Entre os descendentes deste último, Pedro R. Vieira, registram-se: I - o sétimo neto, Francisco Vieira de Lima, Fidalgo da casa Real. Cavaleiro da Ordem de Cristo. Esteve no Brasil onde foi Coronel, deixando um filho bastardo; II - o décimo quarto neto, Manuel Vieira da Silva, que foi homem muito valente. Sargento-Mor de Infantaria na Bahia, para onde passou em companhia de seu irmão, o alferes Domingos Vieira da Silva. Ambos vieram com uma Companhia para combater os gentios que vinham entrando pela Cachoeira, distante 15 léguas de Salvador, e, não podendo resistir o número superior de índios, se entrincheiraram em um Monte, onde depois foram aprisionados e, segundo a história, foram mortos e comidos por seus adversários; e III - o décimo quinto neto, José Vieira da Mota, sacerdote muito eloqüente que esteve no Brasil, a fim de buscar seu irmão Manuel da Mota, que se encontrava estabelecido nas Minas, dizem que muito rico. Brasil: Em São Paulo, entre as mais antigas, registra-se a família de João Vieira, tabelião [1545] em São Vicente (AM, Piratininga, 187). Ainda em São Paulo, de origem portuguesa, a família de Francisco Vieira Antunes [c.1630, S. Martinho da Ventosa, Portugal- ?], filho de Adrião Vieira e de Agueda Dias. Deixou numerosa descendência de seu cas., c.1655, com Isabel Manuel Alvares de Souza, filha de Manuel Alvares de Souza, patriarca desta família Alvares de Souza (v.s.), em São Paulo. Foram bisavós de Joaquim da Costa Siqueira, que teve mercê da Carta de Brasão de Armas, em 1795, das famílias Siqueira e Vieira, conforme vai descrito no título da família Costa de Siqueira (v.s.), de São Paulo. Em Pernambuco, entre as mais antigas, está a família de Bento Gonçalves Vieira [Portugal - d.1691], Sargento-Mor. Familiar do Santo Ofício. Senhor do Engenho Grajaú e proprietário de uma sesmaria de 3 léguas de terra no sertão de Araruba [1691]. Filho de Alonso Nogueira e de Vitória Gonçalves. Deixou geração do seu cas. com Maria de Oliveira, filha do Cap. Julião de Oliveira. Para a Paraíba, ver a família Vieira da Silva. Importante família originária das ilhas portuguesas estabelecida no Maranhão, procedente de Manuel Ignácio Vieira, nascido na Ilha Terceira, fundador da família Dias Vieira (v.s.) do Maranhão. Sobrenome de uma família de origem espanhola, à qual pertence Maciel Vieira, natural de Lançarote, Ilhas Canárias, que viveu de vender fazendas, e que passou para Santa Catarinapor volta de 1814 (Registro de Estrangeiros, 1808, 307).

       Família originária das ilhas portuguesas estabelecida no Rio Grande do Sul, para onde passou Antônio Vieira Cardoso [c.1725, Ilhas -], que deixou numerosa descendência do seu cas., por volta de 1750, com Maria Inácia de Jesus [c.1727, Freg. de Santa Bárbara da Ilha Terceira - 23.10.1787, Viamão, RS], irmã dos patriarcas das famílias Barcelos (v.s.) e Pacheco (v.s.), do Rio Grande do Sul. Seus descendentes foram aparentados, entre outras, com as seguintes famílias: Vieira de Brito, Silva Guimarães, Gularte, Soares, Paim, Silva Guimarães, Linha Africana: Sobrenome também adotado por famílias de origem africana. Na Bahia, cabe mencionar a de Pedro Vieira de Souza, «pardo forro», que deixou geração, cerca de 1750, com Maria do Rosário, «preta do gentio da Guiné» (Rheingantz, Col., 5). Cristãos Novos: Sobrenome também adotado por judeus, desde o batismo forçado à religião Cristã, a partir de 1497. (Wolff, Dic., I, 204). Linha Natural: Em Minas Gerais, por exemplo, Inácia Vieira Cardoso, nat. da Piedade de Itajubá, «filha natural» de Maria Guiomar, foi cas. em 1766, Itajubá (MG), com Lourenço Dias da Rosa, nat. de Guaratinguetá (SP) (Monsenhor Lefort - Itajubá). Heráldica: I - um escudo em campo vermelho, com 6 vieiras de prata, realçadas de negro. Timbre: dois bordões de Santiago, de vermelho, ferrados de ouro, passados em aspa e atados de prata, sustendo uma aspa de vermelho, carregada de 3 vieiras de prata; II - Outros: um escudo em campo vermelho, com seis vieiras de prata. Timbre: os pés de vermelho, carregada de 3 vieiras (Armando de Mattos, Brasonário, II, 162). Século XVI: I - Afonso Vieira - Brasão de Armas datado de 14.11.1537: um escudo com as armas da família Vieira. Diferença: uma brica de ouro com um A preto; II - Álvaro de Brito Vieira - Brasão de Armas datado de 07.09.1557: um escudo com as armas da família Vieira. Diferença: uma brica de arminho; III - Gaspar Vieira de Abreu - Brasão de Armas datado de 05.02.1586: um escudo em campo vermelho, 6 vieiras de ouro em duas palas. Timbre: uma Vieira do escudo entre 2 bordões de Sant'Iago vermelhos forrados de ouro, postos em aspa, e atados com um torçal de prata.

Fonte: Dicionário das famílias brasileiras. 

 

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