Francesco Antonio Maria Pettinato
 

    Francesco Antonio Maria Pettinato, segundo suas filhas, costumava contar que quando morava na Itália, passava muitas dificuldades, devido ao desemprego.

Quando veio para o Brasil, no início tudo foi muito difícil. E depois que se casou teve que trabalhar muito para conseguir o sustento da família. Mesmo assim, sempre que podia enviava dinheiro para a família que tinha ficado na Itália.

Ele sempre se correspondia com os familiares italianos. Eles trocavam, via correio, presentes entre si. Sua irmã Giuseppina Maria Cipriano Pettinato sempre lhe enviava salame curtido por ela no azeite, figos recheados de nozes, essência de limão, panetone, etc. Tudo era produzido por Giuseppina em sua residência. O salame vinha dentro de uma lata que era soldada com uma chapa galvanizada. Tudo que Giuseppina enviava através do correio era envolto com panos de crochê feitos por ela. Francesco sempre enviava café para Giuseppina. Este era colocado em sacos de algodão de sal. Primeiro os sacos eram lavados para poder acomodar o café. Depois de serem colocados nos sacos de algodão, eram colocados dentro de sacos de estopa e por fim era envolvido por um papel pardo encerado e lacrado com um barbante (tipo cerol).

Francesco manteve contato com os parentes até o falecimento de seu pai Giuseppe Pettinato na Itália. Depois disso, sua esposa Ivone Flecher Pettinati se correspondeu com a irmã dele, Giuseppina Maria Cipriano Pettinato, até o falecimento da mesma.


Residência de Francesco Antonio Maria Pettinato e família - Resende (RJ.)/Brasil

Francesco adorava mexer com a terra : cultivava hortas, possuía videira e figueira.

Gostava muito da leitura : sempre lia jornais e revistas. Educou as filhas desde pequenas com a leitura : gostava de presenteá-las com livros infantis.

Sacrificou-se muito para educar suas filhas. Estas, estudaram no colégio de freiras “Santa Ângela” de Resende.

Era sistemático e valorizava os princípios e tradições que tinha adquirido com sua família na Itália. Sentia muita melancolia quando se lembrava dos parentes italianos.

Ele possuía muitos amigos e gostava de contar casos verídicos para os seus clientes. Estes eram desde médicos, advogados até militares que sentavam nos banquinhos de madeira para escutar as estórias. Relatava desde os acontecimentos surgidos em suas visitas quando ia instalar as peças que fabricava, até as lembranças da distante pátria.

Francesco era um trabalhador incansável. Era um exímio artesão.

Com o decorrer do tempo, com os avanços tecnológicos, Francesco observou que a demanda na fabricação de alambiques tinha reduzido sensivelmente. Então, ele resolveu se especializar na fabricação de janelas de ferro, grades e portas. Era um artista excepcional na fabricação dessas peças : nos desenhos e também nas moldagens do ferro. Naquela época prevalecia o ferro batido e utilizavam bastante este material durante as construções das residências. Ainda hoje existe atrás da igreja da Praça Centenário de Resende uma casa onde toda a fachada da frente possui trabalhos realizados pelo Francesco. Essa residência é de propriedade da família Braile. Existem outras residências na cidade que possuem trabalhos de sua autoria.

A oficina de Francesco estava localizada perto da rodoviária de Resende. A sua residência se localizava nos fundos da oficina.

Ele pretendia que um dia suas filhas tomassem conta de sua oficina. Tanto que desde cedo elas ajudavam na oficina. A filha chamada Carmine fabricava parafusos, controlava o fole. A outra filha chamada Zélia cuidava da parte administrativa. E por fim, a caçula chamada Helena fazia a solda.

Francesco vendeu uma parte do loteamento que ficava ao lado da oficina e comprou um lote que fica localizado em frente a Praça Centenário de Resende. Neste local ele construiu uma casa onde a partir de 1941 foi morar com a família.

No final de vida, ele necessitava de uma renda, pois como estrangeiro não teria direito a pensão do INPS. Então ele construiu algumas salas para alugar no local onde estava sua antiga oficina. Mas ele também construiu uma pequena sala para que  pudesse montar uma mini-oficina. Era para poder se ocupar nos momentos de lazer. Infelizmente logo que terminou a construção do prédio (15 dias depois), ele veio a falecer. Francesco Antonio Maria Pettinato faleceu em 4 de outubro de 1961. A sua esposa, Ivone Flecher Pettinati, faleceu em 13 de abril de 2005. Deixaram descendentes.

 


Quadro pintado por Carmine Pettinati Ramos

Quadro pintado por Helena Pettinati Martini

 

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