Família Vieira
 

Família Vieira da cidade de Alvinópolis (M.G.)


Em meados de 1890 na antiga Freguesia de Paulo Moreira (atual cidade de Alvinópolis), a família Vieira composta por João Batista Vieira (que possuía o apelido de “Zico”) e Rita Alves Vieira (carinhosamente chamada de D. Ritinha) e filhos que abaixo serão citados, residiam na “Fazenda do Engenho” (hoje Bairro da Fábrica da cidade). Era uma propriedade que pertencia a Associação Industrial Paulo Moreirense, construtora da Fábrica de Tecidos do Rio do Peixe (hoje Cia. Fabril Mascarenhas). Muitas famílias alvinopolenses, como a família Vieira aqui abordada, residiram nesta fazenda onde empregaram suas atividades na Fábrica de Tecidos do Rio do Peixe.
Naquela época, o conhecido tenente coronel José Pedro Gomes, foi um dos diretores da fábrica de tecidos e foi um compadre da família Vieira.
Nesta fábrica de tecidos, João Batista Vieira, carpinteiro, prestou relevantes serviços de carpintaria.
João Batista Vieira nasceu em meados de 1853 e faleceu em 08/06/1921 com 68 anos de idade. Sua esposa, Rita Alves Vieira, mulher de coração generoso e dama de altas virtudes cristãs, foi uma esposa exemplar. Nascida em 1866 em Alvinópolis, era filha de José Dias Limpo e D. Umbelina Alves de Nazaretes. Faleceu em 18 de fevereiro de 1943 com 77 anos de idade. Foi uma excelente dona-de-casa e adorava a culinária.
A família Vieira mudou-se para a zona urbana da cidade de Alvinópolis no final do século XIX, na Rua Melo Viana (apelidada de “Rua de Cima”).

Eles tiveram os filhos :

1 – João Arsênio Vieira. Nascido em 1881, estudou em um seminário na cidade de São Paulo (SP) quando jovem, mas não quis seguir a vida eclesiástica. Foi o primeiro contador da Cia. Fabril Mascarenhas da cidade de Alvinópolis (MG). Na década de 1920 emigrou para o Estado de São Paulo, se radicando na cidade de Birigui (SP). Foi professor secundário das disciplinas de latim e português. Além disso, dominava vários idiomas como o francês, inglês, italiano e também grego. Escreveu durante vários anos muitos artigos em jornais e periódicos da cidade de Birigui (SP). Nesses artigos definia a sua cidade de adoção como a "Cidade Pérola". Hoje a cidade é conhecida por esse símbolo, havendo na cidade, inclusive, uma praça com uma pérola estilizada. Após a sua morte em 21/05/1968, João Arsênio foi homenageado recebendo uma placa em uma praça anexa à rodoviária local. Casou-se com Maria José Mancuso. Ela nasceu em 27/01/1893, na Itália e imigrou para o Brasil em 1900. Pai: Demétrio Mancuso e irmãos: Nicolau e Josefina. Maria José Mancuso faleceu em 20/09/1985.
2 – Raimundo Batista Vieira (tinha o apelido de “Mundico”). Casou-se com Anália Vieira. Também emigrou para o Estado de São Paulo;
3 – Antonio Vieira de Lima (tinha o apelido de “Nico”). Segundo depoimentos, ele emigrou para a cidade de São Paulo no Bairro de Itaquera;
4 – Modesto Antonio Vieira. N
asceu em 13/10/1908. Casou-se com Castivila Geralda Pessoa (filha de Antonio Gomes Rolla e Francisca Rolla). Tiveram os filhos: Modestino Vieira, Regina Vieira, Marília Vieira, Maria das Graças Vieira, Wanda Lúcia Vieira, Rita Alves Vieira Pontes, Maria Célia Vieira e Cleuza Vieira.
Modesto Antonio Vieira era comerciante em Alvinópolis e possuía uma padaria localizada na residência de seus pais João Baptista Vieira e Rita Alves Vieira. Após alguns anos de casado, Modesto Antonio Vieira comprou a casa em frente a residência de Maria Rosa Concetta Pettinato e Giovanni Baptista Primola onde funcionou durante muitos anos a sua padaria. Ele faleceu em 08/09/1971;
5 – Francisco Vieira (tinha o apelido de “Chichico”). Trabalhava na padaria juntamente com o irmão Modesto Antonio Vieira. Casou-se em Alvinópolis com Estér Machado. Após o falecimento desta, Francisco Vieira casou-se em segunda núpcias com a irmã de sua ex-esposa chamada Tereza Machado. Francisco Vieira residiu durante um período no Estado de São Paulo. Retornou para Alvinópolis, mas emigrou definitivamente para o Estado de São Paulo onde lá faleceu.
6 - Maria Petrina Vieira (conhecida com o apelido de “Neném”). Nasceu em 26 de setembro de 1885 e casou-se com Michelangelo Pettinato.

    Veja a certidão de batismo de Maria Petrina Vieira


7 – Alice Maria Vieira. Depois de casada residiu no Bairro Dias em Alvinópolis;
8 – Elisa Maria Vieira Papa.
Ela nasceu em 09/05/1890. Casou-se em 28 de novembro de 1908 com o italiano Domingos Papa. Ele possuía a profissão de caldeireiro. Residiram no Distrito Major Ezequiel em um sítio chamado “Rato”. Domingos Papa era filho de Vicente Papa e Tereza Labádia, oriundos do Comune di Rivello (Itália). Domingos Papa nasceu em meados de 1887 e faleceu em 09 de agosto de 1961. Tiveram 09 filhos: João Domingos, Maria, Conceição, Rita, Sudário, Josefina, Elisa, Tereza e Raimundo.
9 – Otávia Vieira de Lima. Casou-se com José Luís Pascoal. Residiam em um sítio no Bairro de Ponte Funda;
10 – Rita Alves Vieira (é a caçula das mulheres). Casou-se com Benjamim Fausto de Carvalho e residiram no Distrito Major Ezequiel de Alvinópolis.

Além de ser muito conhecida e da tradicionalidade da família Vieira em Alvinópolis, uma particularidade dos integrantes desta família foi sempre a serenidade, respeito ao próximo, honestidade e benevolência.
As mulheres da família Vieira se sobressaíram na cidade de Alvinópolis pelo seu lado humanitário : eram caridosas, meigas, educadas, simples e amigáveis.
O chefe da família, João Batista Vieira, foi um excelente carpinteiro.
Existem residências na cidade de Alvinópolis com trabalhos realizados por ele. Alguns descendentes da família Vieira guardam até hoje lembranças confeccionadas por suas habilidosas mãos como camas, mesas, etc.
Quando a família Vieira mudou-se para a zona urbana da cidade de Alvinópolis, foi uma época em que residiam muitos estrangeiros.
Ao lado da residência da família Vieira, residia a família da italiana Maria Rosa Concetta Pettinato (conhecida com o apelido de “Sá Rosa”). Maria Rosa Concetta Pettinato era casada com Giovanni Baptista Primola (conhecido com o nome de “João Primola”).
Naquela época, Rita Alves Vieira fez muita amizade com Maria Rosa Concetta Pettinato. Recém chegada da Itália, Maria Rosa Concetta Pettinato aprendeu muitas palavras do idioma português com Rita Alves Vieira.
Era um verdadeiro aprendizado para as duas famílias com trocas de informações culturais : Maria Rosa Concetta Pettinato ensinou Rita Alves Vieira como bordar, tecer meias e um pouco da arte da culinária italiana, etc.
Toda a sociedade alvinopolense foi enriquecida culturalmente com a influência estrangeira.
Foi naquela época em que o irmão de Maria Rosa Concetta Pettinato chamado Michelangelo Pettinato conheceu a filha de Rita Alves Vieira chamada Maria Petrina Vieira (veja a foto dela abaixo).
Um dos filhos da família Vieira chamado Modesto Antonio Vieira foi comerciante e possuía uma padaria na casa de seus pais (em frente ao Colégio Bias Fortes na cidade de Alvinópolis).
Modesto Antonio Vieira casou-se e foi residir, juntamente com a família, em um sobrado em frente a casa de Maria Rosa Concetta Pettinato.
No início do século XX na cidade de Alvinópolis, o ponto de encontro da sociedade era localizado no terraço da casa de Modesto Antonio Vieira. Esse local era chamado de “Pulgueiro” e era onde os alvinopolenses e estrangeiros reuniam-se todos os finais de tardes.
Nas ruas de Alvinópolis era comum ouvir idiomas estrangeiros como o italiano, o espanhol, dentre outros.
Naquela época, os costumes eram rígidos, mas havia muito romantismo. Romantismo esse que fervilhava nas noites alvinopolenses com os trovadores e seresteiros.
Seresteiro famoso na cidade destaca-se Luís Pettinato Vieira (filho de Maria Petrina Vieira) que com sua voz e melodia encantava as moças alvinopolenses. Tinha uma irmã chamada Carmina Pettinati que adorava tocar bandolim no “Pulgueiro”.
Naquela época as pessoas se locomoviam através de cavalos, charretes e carroças.
A iluminação das ruas, apoiada em postes de ferro, era do tipo de trilhos usados nas estradas de ferro. Os caldeireiros que vieram da Itália eram muito requisitados na confecção das lamparinas, lampiões (de querosene), candeeiros (a óleo de mamona), castiçais e candelabros que eram utilizados na iluminação das residências.
Nas noites quentes, os moradores gostavam de ficar em frente de suas casas para prosear e jogar baralho.
O antigo centro histórico de Alvinópolis (localizado na Parte Alta da cidade) onde ainda hoje a arquitetura não foi desfigurada, é o local onde se encontram as residências que no passado pertenceram as famílias Vieira, Primola e Pettinato (Pettinati) descritas neste trabalho.
No “Pulgueiro” os imigrantes italianos e os nativos se confraternizavam. As famílias Vieira, Primola e Pettinati se reuníam. Havia muita amizade e destacam-se Miguel Pettinati ( de apelido “Miguelito”) e Afonso Pettinati ( de apelido “Cinça”), filhos de Maria Petrina Vieira, que sempre freqüentaram a residência de Modesto Antonio Vieira. Afonso Pettinati tinha como hobby o futebol e foi considerado por muitos alvinopolenses como o melhor goleiro surgido na região.
Uma filha de Maria Petrina Vieira chamada Adonida Pettinati casou-se em 01 de março de 1947 com Juvêncio Linhares Moreira e durante um certo período residiram juntamente com a família de Modesto Antonio Vieira.
A família Vieira sempre esteve presente em todos os acontecimentos sociais da cidade de Alvinópolis. Dentre eles, nos carnavais de Alvinópolis, os integrantes desta família sempre tiveram uma participação ativa nesse evento.
No Carnaval de 1997 as famílias da região denominada "Parte Alta", dentre as quais destaca-se a família Vieira, foram homenageadas em um Samba Enredo intitulado "Olha o balaio". Veja abaixo a letra da música do Carnaval de 1997.

Carnaval 97

Cidade Alta
Carnavalesco : Edmar Carvalho
Composição e Música : Josimar (Palmeirense)
Mestre Bateria: Rodrigo/Romeu

"Olha o Balaio"

"Balaieiro, Seu Joaquim já vai passar;
Os italianos com seus tachos, trazendo suas mulinhas com sininho a balançar
Mariinha e Realina Benzedeiras.
E um velho sábio Sr. Abel;
Maria Procópia que era parteira.
Baiano, Leonildo, Castivila e Léo;
São personagens da Parte Alta
São estrelas que brilham no céu.
(Cidade Alta)
Paulo Moreira começou a nossa história, Alvinópolis
Recorda a nostalgia no samba
Que saiu da nossa história
(E aí)
E aí alguém chorou...
Por alguém que já se foi...
Mas na canção, alguém lembrou,
Então sorri e meu coração acelerou...
Eu sou a mocidade, eu sou campeão...
Pelas ruas da cidade só se escuta este refrão.
Olha o Balaio.....

O breve relato sobre a família Vieira descrito acima foi extraído de depoimentos realizados com alvinopolenses e com descendentes das famílias Vieira, Primola e Pettinati da cidade de Alvinópolis.
Abaixo encontram-se algumas fotografias da família Vieira de Alvinópolis ( M.G.).


Clique aqui para conhecer a heráldica do sobrenome Vieira
 


Modesto Antônio Vieira (i.m.) e Castivila G. Pessoa (i.m.)


Filhas de Modesto e Castivila

Da esq. p/ a direita:
Regina Vieira, Marília Vieira, Maria das Graças Vieira, Wanda Lúcia Vieira, Rita Alves Vieira Pontes, Maria Célia Vieira, Cleuza Vieira - 1990


Castivila G. Pessoa (i.m.)


Modesto Antônio Vieira (i.m.)

 


Francisco Vieira (i.m.)

Neuza Vieira de Lima, Maria das Graças e Modesto Vieira

Antônio Vieira (i.m.), Maria das Graças e Neuza Vieira de Lima

 


Elisa Maria Vieira Papa (i.m.) e Domingos Papa (i.m.)


Maria Petrina Vieira (i.m.)

 


Elisa Maria Vieira (i.m.) e Domingos Papa (i.m.)


Cama construída por João Batista Vieira

 


Rua Melo Viana onde localizavam-se as residências da família Vieira


Antiga residência de João B. Vieira e Rita A. Vieira


Antiga residência de Modesto Antônio Vieira e Castivila G. Pessoa.

 

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