Cidade de Santa Bárbara (MG)
 

          História: As origens de Santa Bárbara remontam o período da exploração do ouro em Minas Gerais, no início do século XVIII. O bandeirante paulista, Antônio Silva Bueno, explorando as margens do ribeirão existente nas fraldas da Serra do Caraça, encontrou ali ricas minas de ouro. A este ribeirão, ele chamou de Santa Bárbara, pois lá chegara no dia 4 de dezembro de 1704, dia da Santa deste nome, conforme registro no calendário litúrgico. A riqueza das minas descobertas por Bueno, às margens do ribeirão Santa Bárbara, desde os primórdios, desperta a cobiça de outros aventureiros mineradores. Na esperança de se enriquecerem, fixaram nesta promissora região. Assim, desponta o arraial de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara. Santo Antônio, porque era o santo padroeiro dos bandeirantes recém-chegados, e Santa Bárbara, porque era a santa comemorada no dia 04 de dezembro. Uma capela logo é erguida. Segundo registros históricos, a construção da Igreja Matriz de Santo Antônio foi iniciada em 1713. À medida que o arraial crescia, outras igrejas e capelas iam sendo edificadas. Em 1724, o alvará de 16 de fevereiro confere à Freguesia de Santa Bárbara o caráter de “colativa”, sendo seu primeiro vigário o Padre Manoel de Souza Tavares (1724 -1750). “Vigário colado” era aquele irremovível, enquanto que o “Vigário Encomendado” podia ser transferido para qualquer outra Freguesia. A partir da segunda metade do século XVII, as reservas de ouro de aluvião da região, começam a se esgotar devido a um processo de super exploração. Veio um período de decadência. As alternativas de vida eram as culturas de subsistência e a criação de gado. Nos primeiros anos do século XIX, as atividades de mineração quase não existiam mais. Saint-Hilaire, por lá passar, em 1817, testemunha o abandono do povoado ao registrar o desabafo de um proprietário de várias residências vazias, que não encontrava gente disposta a ocupá-las “nem de graça”. João Emanuel Pohl, que também lá esteve na época, registra impressões mais detalhadas sobre a fisionomia das ruas e dos edifícios, afirmando que eles “... assobradados e muitos de tamanho considerável e construídos com bom gosto, são enfileirados um junto do outro, em geral, porém maltratados e decadentes”. Logo adiante esclarece que, “antigamente, quando a extração do ouro é feita debilmente e os moradores vivem mais da criação do gado e da cultura dos frutos do campo”. Contudo, devido à privilegiada localização geográfica, o arraial vai adquirindo forças suficientes para se transformar em Vila, pela Lei Provincial 134, de 16 de março de 1839. A instalação do aparato administrativo ocorreu em 28 de janeiro de 1840. As atividades econômicas floresceram. A vila vai ganhando importância e, em 06 de junho de 1858, pela Lei Provincial 881, é elevada à categoria de cidade. Em 1861, os ingleses organizam a “Santa Bárbara Mining Company” com o objetivo de reativar a mineração do ouro. Para tanto, compraram a Fazenda “Mina de Ouro do Pari ou Veio do Pari”, em terras do, hoje, distrito de Florália. Apesar de esforços, a mineração não prosperou. Nos anos finais do século XIX, Santa Bárbara consolida a sua importância como Município da Província de Minas Gerais. Finalmente, em 12 de novembro de 1878 é feita sede de Comarca, pela Lei 2500, desmembrando-se de Caeté. Naquele ano, a cidade registrava uma população de 47.200 habitantes, dez por cento dos quais na sede municipal. Os trabalhadores escravos registrados cerca de 7.160 - representavam pouco mais de seis por cento da população existente no município naquele momento. A mão-de-obra cativa, como se sabe, dedicava-se ao trabalho mais pesado, principalmente o da lavoura. Sabe-se também que a lavoura de subsistência, desenvolvida na região, ocupava pequenas e médias propriedades, com uma maneira de cultivar a terra que não exigia quantidade de braços como as lavouras de exportação típicas, que, pelo contrário pediam grande quantidade de terra e de braços. Há aí indicada uma possibilidade de contingente razoável da população livre estar submetida a algum tipo de trabalho remunerado. Considera-se ainda o grande número de pequenos proprietários rurais, geralmente também comerciantes e configura-se uma sociedade de classe “média” rural de pequenas fortunas dos pequenos negócios que tinha sua possibilidade de se expandirem limitadas até pela geografia. O nascimento do século XX vai encontrar Santa Bárbara vivendo momento brilhante. O município, um dos maiores do Estado, compõe-se, na época, de 11 distritos: Santa Bárbara, Rio São Francisco, São Gonçalo do Rio Abaixo, São João do Morro Grande, Conceição do Rio Acima, Nossa Senhora dos Cocais, São Miguel do Piracicaba, Catas Altas, Conceição do Mato Dentro, Bom Jesus do Amparo, Socorro e Brumado.
Um sopro de dinamismo percorre a cidade de Santa Bárbara. As atividades econômicas renovam-se. Em agosto de 1911, foi inaugurada a estação Ferroviária da Estrada de Ferro Central do Brasil, antes mesmo da conclusão de toda a infra-estrutura necessária. O pontilhão de ferro, importado da Inglaterra ficou retido na Europa, obrigando os passageiros a chegarem à cidade por uma ponte de madeira. A ponte de ferro não estava pronta e quem fez a ponte de madeira foram Sílvio e Antônio Lorenzato e outros italianos. Com a inauguração da estação, consolidou-se o processo econômico do início do século XIX com a mudança nas funções e na maneira pela qual a população organiza a sua sobrevivência. Com o trem chega o telégrafo. Enquanto “Porto Seco” e “Final de Linha”, a cidade floresceu, tornando-se referência econômica da região. A sede do município contava com equipamentos urbanos, “modernos”, com a luz elétrica, água encanada, um hospital e um grupo escolar. É o período da expansão dos negócios. Os interesses políticos dos grupos que dividem a elite local se manifestavam através de dois jornais da época, “A Vida” (1906) e “Pátria” (1909). Neste campo, o melhor momento dos grupos dominantes em Santa Bárbara é a posse do conselheiro Afonso Pena, como quarto Presidente da República. Filho de Santa Bárbara, esse típico representante das elites de Minas Gerais teve uma carreira política notável, que começou no império, terminando na Presidência da República, no período de 1906 a 1910. Duas decisões do Governo Estadual modificaram o perfil do município nos primeiros anos do novo século. A primeira, em 1911, quando o distrito de São Miguel do Piracicaba é retirado da jurisdição de Santa Bárbara; a segunda, em 1923, quando foi suprimido o distrito de Mercês de Água Limpa. Já, em 1925, essas modificações são percebidas na população, anotada por Vítor Silveira para Santa Bárbara: 34.172 habitantes, quase a metade da população existente em 1900. A cidade consolidara a sua vocação para a produção de subsistência, além de ter se tornado importante centro atacadista. Vítor Silveira, nas anotações sobre Santa Bárbara, em 1925, registra: “O Distrito de Santa Bárbara, sede do município, tem então 34 casas comerciais, 3 farmácias, 2 hotéis, 2 padarias e 2 alfaiatarias, além do hospital e do Grupo Escolar...”. Produção mineral em escala modesta: ouro, ferro, manganês e diversas qualidades de tintas oriundas do óxido de ferro e do ocre. Algum desenvolvimento na pecuária, que permitiu a existência de um excedente exportável no rebanho de gado vacum; o rebanho dos suínos era apenas suficiente para o abastecimento local. Em 1925, o novo prédio da Estação Ferroviária foi inaugurado, construído com a linguagem arquitetônica vinculada ao ecletismo. Consolidava-se a vocação comercial de Santa Bárbara. A menção que Vítor Silveira faz a 80 fazendeiros mais importantes supõe a existência de, pelo menos, uma boa quantidade de fazendeiros de menor expressão, o que, visto por outro lado, mostra o tanto que o parcelamento da propriedade da terra havia se consolidado no município. Em 1943, o município de Santa Bárbara perde os distritos de Bom Jesus do Amparo, Morro Grande e Cocais. Novas relações comerciais são estabelecidas e as mercadorias adquiridas pelas cidades vizinhas, chegam por via férrea à cidade de onde são distribuídas para toda a região. Comerciantes atacadistas de várias localidades se estabeleceram no município, acompanhando os trilhos, promovendo um grande avanço econômico. Daí, até 1950, quase nada mudara na cidade. Somente nos anos 60 é que o universo restrito e econômico de Santa Bárbara começou a sofrer alterações. A expansão de grandes projetos siderúrgicos, em municípios próximos, ativa a exploração do minério de ferro, e a produção de maior quantidade de carvão vegetal. A silvicultura local foi de tal forma impulsionada, que a propriedade da terra, até então parcelada, concentrava-se em poucas mãos. Hoje, Santa Bárbara conta com quatro distritos: Florália, Barra Feliz, Brumal e Conceição do Rio Acima. No desenrolar de sua história, Santa Bárbara também se tornou importante passagem na rota entre a Corte, no Rio de Janeiro, e as minas do centro/norte de Minas Gerais (Estrada Real). Novas páginas estão sendo escritas, tecendo uma história que se iniciou sob o ápice da atividade mineradora.                                                                         Fonte: Prefeitura Municipal de Santa Bárbara (MG).


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