História da Belgo Mineira
 

         Na passagem para o século XX, o esgotamento das jazidas de ouro de Minas Gerais e o incremento do setor industrial no país despertaram ainda mais o interesse pelas reservas de ferro da região. Para Amaro Lanari, Cristiano Guimarães e Gil Guatimosin, jovens engenheiros recém-formados da Escola de Minas de Ouro Preto, esse interesse transformou-se em empreendimento. Em 21 de janeiro de 1917, eles criaram - juntamente com outros pioneiros como o banqueiro e comerciante Sebastião Augusto de Lima e o industrial Américo Teixeira Guimarães - a Companhia Siderúrgica Mineira, na cidade de Sabará. O projeto era ambicioso: construir um alto-forno com capacidade para produzir 25 toneladas/dia de ferro gusa - seria o maior até então do Brasil e da América Latina. Muitas dificuldades na implementação do projeto, em plena Primeira Guerra Mundial, levaram ao atraso de sua conclusão. A primeira corrida de gusa só aconteceu no final do ano de 1920. E as dificuldades não cessaram após o início das operações, porque também era muito difícil colocar no mercado o produto nacional, diante da concorrência estrangeira, alem do quê não havia apoio governamental para a implantação da infra-estrutura necessária ao funcionamento da usina e ao escoamento da produção. Por isso, Gil Guatimosim, um dos fundadores da empresa, afirmaria anos depois que, naquela época, cada tonelada de gusa custava “sangue, suor e lágrimas”. Surge a Belgo-Mineira: Em 1920, o Rei Alberto I da Bélgica veio ao Brasil em visita oficial. A convite do Presidente de Minas, Arthur Bernardes, além de sua estadia na capital federal, o rei foi a Belo Horizonte. A visita à capital mineira não era gratuita: empenhado que estava na oposição ao projeto da Itabira Iron, Bernardes recebeu o monarca com todas as honras, tendo em mente a firme disposição de evidenciar o potencial siderúrgico do estado e sensibilizar o rei, para que ele convencesse investidores europeus a direcionarem também para Minas seus negócios. De fato, pouco tempo depois da visita de Alberto I, o grupo belgo-luxemburguês ARBED enviou missão técnica a Minas Gerais, que constatou a possibilidade do grupo se associar a uma empresa brasileira já existente e a partir daí ampliar o negócio. Assim, em 11 de dezembro de 1921, a Companhia Siderúrgica Mineira realizou uma assembléia de acionistas para aumentar seu capital, que seria subscrito pela ARBED. Com isso, a Companhia Siderúrgica Mineira passava a se denominar Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. No programa inicial da nova empresa, previa-se transformar Sabará em uma usina piloto, destinada a prospectar e experimentar a operação de uma grande usina no Brasil, treinando pessoal, possibilitando o melhor conhecimento das matérias-primas nacionais e de toda a logística operacional, abrindo caminho para aquele que já se delineava como o grande salto da Companhia - a construção, em Monlevade, de uma moderna usina siderúrgica, sem precedentes na história do país. De Sabará a Monlevade Antes mesmo da fundação da Belgo-Mineira, representantes da ARBED compraram a antiga propriedade de Jean Monlevade (foto abaixo), em São José do Piracicaba que pertencia ao Banco Ultramarino, credor da falida Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros, que havia adquirido a propriedade dos herdeiros de Monlevade. A área incluía as ruínas da antiga fábrica de ferro e a região onde se encontrava a Mina do Andrade, rica em minério da melhor qualidade. A perspectiva era que brevemente se instalasse ali uma nova usina. Mas esse empreendimento foi adiado, de um lado pelos resultados não muito animadores da usina piloto e, de outro, pela demora na construção de um ramal ferroviário que garantiria o funcionamento da usina em Rio Piracicaba. Entre 1926 e 1927 a usina de Sabará chegou a ter as atividades paralisadas e a ARBED enviou ao Brasil o engenheiro luxemburguês Louis Ensch, com a missão de tentar contornar os problemas e apontar soluções possíveis. Cogitava-se até mesmo o encerramento dos negócios no Brasil, caso a situação se mostrasse de fato insustentável. Ainda no final do ano de 1927, o novo engenheiro-chefe da usina chegou a Sabará e logo concluiu que, com o aporte de novos equipamentos e melhoria da qualidade do produto final, o quadro poderia ser revertido. Nos anos seguintes, a usina de Siderúrgica passou por um grande desenvolvimento, impulsionada também pelo incremento da indústria nacional, a partir dos anos 30. O presidente Getúlio Vargas tinha especial interesse pelo desenvolvimento industrial e, em 1931, reafirmou sua posição quando, em visita a Minas Gerais, se comprometeu a promover a ligação ferroviária entre a Estada de Ferro Central do Brasil e a Vitória a Minas para viabilizar a usina na região da antiga fazenda de Monlevade. No dia 31 de agosto de 1935, uma mesma cerimônia comemorou a inauguração do ramal ferroviário de Santa Bárbara e o lançamento da pedra fundamental da nova usina. Monlevade Usina e Cidade: Monlevade era ainda praticamente um imenso canteiro de obras quando entrou em operação o primeiro alto-forno - que recebeu o nome Getúlio Vargas. A primeira corrida de gusa ocorreu em 20 de julho de 1937. Mas para viabilizar a implantação da Usina em Monlevade, foi necessária também a construção de toda a cidade, em torno do antigo Solar Monlevade - residências, ruas, escola, hospital, clube... Tudo teve de ser construído, assim como tiveram de ser instalados pela Belgo vários outros núcleos pelo vale do rio Doce, para viabilizar o manejo das matas de eucalipto para carvoejamento. Monlevade, em especial, desenvolveu-se muito a partir do núcleo inicial em torno da usina, atraindo para as regiões do entorno um grande contingente de pessoas, que formaram bairros como o de Carneirinhos. Décadas depois, a região já não era mais tão isolada, dispondo de ligação rodoviária e já não mais fazia sentido manter a cidade sob a administração da empresa. Em 29 de abril de 1964, portanto, João Monlevade tornou-se um município independente. A Belgo transferiu toda a infra-estrutura e os equipamentos urbanos para a municipalidade que a partir daí passou a administrar a cidade.                            Fonte: Companhia Siderúrgica Belgo Mineira.


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